Fato é que a computação em nuvem evoluiu muito o mundo da tecnologia, mas o que vem a seguir? Nesta unidade vamos tratar de alguns conceitos tecnológicos que estão sendo integrados a computação em nuvem e com isso promovendo a nova geração de serviços. Começaremos com algo que não é novo, mas que ganhou nova vida com a CC: a Internet das Coisas. Em seguida trataremos de uma dupla praticamente inseparável e que já está revolucionando o mundo: o Machine Learning e a Inteligência artificial.

Por fim, traremos a revolucionária computação quântica que, mesmo discretamente, já começa a aparecer e adivinha: como serviço cloud comercial. A última aula dedicaremos aos servidores híbridos e serverless e seu papel nesta revolução digital.

INTERNET DAS COISAS IOT

A Internet das coisas, que carinhosamente chamamos de IoT (do inglês Internet of Things) entra em nosso bate papo, primeiro para mostrar o quanto IoT está imerso no mundo em nuvem e segundo para lhe mostrar uma tendência forte atual e que ficará ainda mais forte nos próximos anos. Você sabia que o mundo é microprocessado? Sim, nosso mundo hoje é tão abundantemente cheio de microprocessadores e conectividade que faz todo sentido falar do IoT em uma discussão sobre computação em nuvem.

Voltando ao papo do mundo microprocessado, fato é que atualmente existem bilhões de dispositivos eletrônicos nos lares, no comércio, na indústria e até nos veículos de passeio e de carga. Enfim, por toda a parte estes dispositivos se conectam uns aos outros, a internet, trocam informações, status e isso faz com que seja necessário muito controle e segurança para que tudo funcione ao ponto de em muitos casos tal conectividade ser até despercebida.

A existência dos dispositivos conectados gerou mais um mercado consumidor que a cada dia lança novos dispositivos, novas funcionalidades, estão praticamente colocando internet em tudo, até em máquinas de lavar roupa! Outro detalhe importante no IoT é que seu amadurecimento praticamente colocou o mundo em sua quarta revolução industrial, claro que com o apoio da inteligência artificial.

Estamos vivendo hoje uma era onde as empresas possuem apenas máquinas e onde sua operação é automatizada ao ponto de uma produção massiva cuja planta de fabricação ocupa dezenas de metros quadrados pode ser comandada por um punhado de pessoas. Neste cenário estamos falando de máquinas com IoT e inteligência artificial lhes permitindo autogerenciamento, intercomunicação e com isso uma baixíssima necessidade de intervenção humana. Mas qual a função global da IoT? Para Santos (2014: 9) a função seria:

Como o próprio nome diz, é agregar, linkar, fazer comunicar entre si todos os objetos, coisas, na internet, na rede. De acordo com o livro de SHELBY Zach e BORMANN Carsten. (SHELBY…, 2009), podemos linkar smartphones, sensores pessoais, automação predial, logística, transporte, medidores de energia elétrica inteligente, infraestrutura de redes, etc.

Portanto, com a IoT é criada uma rede mundial onde a esmagadora maioria de seus membros não são humanos e esta intercomunicação entre dispositivos têm apoiado e muito o desenvolvimento de novas aplicações, novos usos para a tecnologia como dispositivos inteligentes que monitoram plantações oferecendo aos gestores em tempo real condições climáticas, status da produção, imagens, enfim, uma série de dados. Outro ponto importante da IoT é que sua muita inteligência artificial e no exemplo da agricultura significa que os mesmos dispositivos que transmitem sem fio uma enorme quantidade de informações para o gestor também podem se auto regular ativando ou desligando equipamentos de irrigação e outras proteções da lavoura. Ainda de acordo com Santos (2014: 9) temos a Cisco com seu conceito ampliado para o IoT, o IoE onde o E representa todas as coisas (everything):

A Cisco define IoE - Internet of Everything (Internet de todas as coisas), como uma união de pessoas, processos, dados e tudo que torna as conexões em rede mais relevantes e valiosas do que antes — transformando informações em ações que criam novos recursos, experiências mais ricas e oportunidades econômicas sem precedentes para empresas, indivíduos e países.

Do lado da indústria temos máquinas inteligentes que promovem alterações em suas funções de acordo com parâmetros pré-estabelecidos, reagem ao status das outras máquinas de seu ciclo produtivo, mas do lado do consumidor final, temos o IoT promovendo grande melhoria na experiência de usuário dos dispositivos populares, o que pode ser visto facilmente na personalização de conteúdo e anúncios dos smartphones, por exemplo, assim como em novas experiências com aparelhos muito conhecidos como geladeiras inteligentes capazes de gerenciar os produtos nela armazenados e inclusive realizar pedidos quando algo acaba. De acordo com IPsense (2017, online) a tecnologia IoT se integra aos serviços em nuvem

Bom, para serem funcionais, de fato, esses dispositivos precisam estar conectados à rede e trocar informações entre si. Especialmente os dispositivos mais complexos. Uma câmera de monitoramento, por exemplo, exige uma forte base de dados para poder avisar o proprietário sobre algo suspeito. Algo bem complicado para um data center próprio, já que o custo para manter essa base se torna elevado. Nesse sentido, a computação em nuvem tem a função de substituir a infraestrutura de grandes empresas. Com ela, não será preciso se preocupar com custos elevados de energia, por exemplo (dependendo do objeto, como câmeras de segurança, deve-se mantê-lo ligado o dia todo), ou manutenção etc.

É preciso, entretanto, dizer que IoT vai muito além de se instalar uma tela em algum aparelho, IoT representa conectividade, experiência de usuário, informação e gerenciamento, tudo isso com o objetivo de gerar novos produtos e serviços que facilitem ainda mais a vida das pessoas. De acordo com IPsense (2017, online) a IoT e a nuvem tem muito em comum, o quadro a seguir deve clarear parte destas similaridades:

Por fim, empresas provedoras cloud como a AWS, Microsoft Azure, Google Cloud, estão totalmente “equipadas” para atender a demanda de empresas que precisam gerenciar seus dispositivos IoT e/ou precisam desenvolver sistemas de coleta, gerenciamento e até mesmo dispositivos com IoT embarcado.

MACHINE LEARNING E INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Começo esta aula escancarando tudo ao dizer que na computação em nuvem é possível encontrar tudo o que existe de mais avançado em engenharia de software, tudo! Dois elementos de alta tecnologia e que atualmente estão revolucionando o mundo e que são oferecidos nos melhores provedores de soluções cloud são a tecnologia de Machine Learning e a Inteligência Artificial.

Tanto Machine Learning (ML) quanto Inteligência Artificial (AI) são conceitos que permeiam o universo científico a alguns anos, mas com a evolução dos serviços em nuvem, ambos os conceitos ganham a cada dia um novo significado e uma maior importância. De acordo com Data Science Brigade (2016: online) podemos conceituar Machine Learning como sendo:

Machine Learning da maneira mais básica é a prática de usar algoritmos para coletar dados, aprender com eles, e então fazer uma determinação ou predição sobre alguma coisa no mundo. Então ao invés de implementar rotinas de software na mão, com um set específico de instruções para completar uma tarefa em particular, a máquina é “treinada” usando uma quantidade grande de dados e algoritmos que dão a ela a habilidade de aprender como executar a tarefa.

O ML é um passo importante da indústria 4.0 em cima de uma tecnologia que já era fantástica, a automação industrial. Junto com a inteligência artificial, o ML tornou o maquinário da indústria mais inteligente e auto gerenciável com informações sendo transmitidas em tempo real, sem fio, onde o gestor pode estar localizado a quilômetros de distância e ainda por cima ver toda a planta via câmeras. Em certo modo falar de Machine Learning se mistura com Inteligência artificial, com isso Neurotech (2020: online) afirma que inteligência artificial é: