O comércio entre diferentes nações é tão antigo quanto a própria ideia de civilização. O surgimento da moeda facilitou as trocas, mas por volta do século XVI o comércio internacional tomou um grande impulso em razão de uma série de inovações, como as caravelas e os instrumentos de navegação marítima, que permitiram que as relações comerciais se expandissem para muito além dos limites da Europa e da Ásia.
Nos tempos atuais, podemos observar um outro momento de grande intensificação do comércio por meio da evolução das tecnologias da informação e comunicação. Os mercados mundiais passaram a ditar o ritmo das transações e as fronteiras nacionais perderam sua capacidade de proteger mercados internos, exigindo uma nova atitude dos agentes econômicos (ARIENTI, 2017).
Ao fazer um pedido pela internet para uma loja americana entregar o produto diretamente na casa do consumidor, uma longa cadeia produtiva é acionada em todo o mundo. Os bens intermediários que darão origem a esse novo produto final são produzidos em várias partes do mundo, a montagem pode ocorrer em um outro ou mais países e o transporte pode ser feito por uma empresa de outro país. Essa nova forma de divisão internacional do trabalho, possibilitada em grande parte pela facilidade de comunicação entre agentes econômicos, elevou intensamente o volume do comércio global.
1. Estruturação do mercado global
A partir da década de 80, diversos países industrializados iniciaram um processo de desregulamentação de seus mercados. É o início do processo que é geralmente conhecido como globalização ou mundialização da economia. As medidas de proteção que existiam nesses países, tais como barreiras alfandegárias e reservas de mercado, foram extintas com o objetivo de dinamizar ainda mais as trocas comerciais entre países.
Já nos anos 90, os países em desenvolvimento começaram a implementar medidas no mesmo sentido. Muitas dessas políticas de desregulamentação e abertura de mercados estavam baseadas no pensamento de um economista do século XVI chamado David Ricardo que defendia a ideia de que os países deveriam se especializar na produção das mercadorias em que eles fossem mais eficientes em relação a outros países. Um exemplo simples para entender essa ideia é considerar uma situação em que o país A produza o produto X utilizando 4 horas de trabalho e o produto Y utilizando 2 horas. Já o país B produz a mercadoria X utilizando 5 horas e a Y utilizando 3 horas, conforme a tabela abaixo:

Pela teoria das vantagens absolutas, elaborada por Adam Smith, o país A é mais eficiente na produção das duas mercadorias e, portanto, caberia a ele produzir ambas. O país B seria consumidor dessas mercadorias. No entanto, David Ricardo, ao aplicar a ideia da teoria das vantagens comparativas, elaborada por ele, diria que o país A deve dedicar seus recursos produtivos somente ao produto Y, no qual ele é mais eficiente do ponto de vista econômico e o país B se dedicaria à produção da mercadoria X, mesmo não sendo o mais eficiente. Isso porque, o país A, utilizando mais eficientemente os recursos, geraria mais riqueza e poderia comprar o produto Y do país B.
Teoria das vantagens absolutas
A teoria das vantagens comparativas demonstrou como o comércio internacional pode ser vantajoso para os países. Essa visão da produção e do comércio exterior acabou dando fundamentos para a atual divisão internacional do trabalho, onde alguns países dedicam-se majoritariamente à produção de insumos básicos e intermediários, enquanto outros países dedicam-se à produção de bens industrializados.
Teoria das vantagens comparativas
Essa visão do comércio e da economia mundial levou muitas grandes empresas a implementarem as chamadas cadeias globais de valor onde a empresa busca pelas melhores relações comparativas de custo para decidir onde fabricará não todo o produto, mas sim partes dele (ARIENTI, 2017). Por esse motivo, muitas empresas de grande porte tem subsidiárias, filiais e subcontratadas em várias partes do mundo onde cada uma produz uma parte do produto final que é montado em outro país.
2. Commodities e taxas de câmbio
Nesse contexto de divisão internacional do trabalho, alguns países, entre eles o Brasil, ocupam um lugar central na produção e comercialização de commodities que são produtos com características homogêneas, independente do local de produção. A demanda desses produtos é global por se tratarem de insumos básicos para o processo de transformação industrial e, por isso, a determinação do preço não se limita à demanda e oferta em mercados locais. É a demanda global e sua respectiva oferta que são as forças que determinam o preço que está sempre expresso em dólares.
Como o preço é fixado internacionalmente na moeda americana, a demanda e oferta desses produtos é muito sensível à taxa de câmbio, ou seja, aos valores de conversão da moeda americana em termos da moeda local.
Commodities
Vejamos um exemplo.
A soja é uma commoditie muito valorizada no mercado internacional pois ela é o insumo básico de muitos produtos da indústria alimentícia, desde ração para animais até para a obtenção de óleos, por exemplo. Suponhamos que o preço da saca de soja no Brasil é de R$ 250,00 e a taxa de câmbio é de US$ 1,00 por R$ 5,00. Nesse caso, a saca da soja brasileira será negociada no mercado internacional por US$ 50,00. Agora imaginemos que a taxa de câmbio foi alterada e agora US$ 1,00 é negociado no mercado brasileiro por R$ 2,50. Nesse caso, com a valorização da moeda brasileira, o preço da saca de soja no mercado internacional passa a ser de US$ 10,00. Assim, quando o dólar está a R$ 2,50, a saca da soja brasileira no mercado mundial fica mais cara. Portanto, a demanda pela soja nacional diminui. Já com o câmbio mais desvalorizado, o preço internacional da saca passa a ser de US $50,00. Com o menor preço em dólar, maior vai ser sua demanda.

3. Organizações e acordos mundiais