Nesta unidade trataremos de tema delicado: como transferir uma empresa de suas soluções locais para os serviços em nuvem. Vamos começar tratando sobre os desafios na primeira ponta, a empresa e nesta aula falaremos de como enxergar a empresa em ordem de se conhecer suas necessidades computacionais. Em seguida vamos a definição da outra ponta: o ambiente destino, a nuvem e com isso poderemos compreender melhor a sinergia entre o que a empresa precisa e o que os provedores oferecem. Por fim trabalharemos os conceitos das estratégias de migração e transformação para a empresa ingressar na nuvem e obter o melhor resultado.
Neste ponto, você estudante já compreende que centenas empresas provedoras estão no mercado 24 horas por dia, 7 dias por semana oferecendo soluções em nuvem como servidores, armazenamento, softwares, virtualização, hipervisores e muito mais, mas é importante que se tenha atenção ao não subestimar a complexidade que é o processo de se migrar algo hospedado localmente para uma hospedagem em nuvem. Neste sentido, Moraes (2015: 4) afirma que:
Um ambiente de nuvem, centralizado e compartilhado para as OM que compõe o Polo de TI, vai resultar em uma série de vantagens, como a modernização do parque computacional em termos de formato de centro de dados, aproveitando as possibilidades que a computação em nuvem agrega em relação á virtualização. Também, em tempos de escassez de a convergência de pessoal de infraestrutura de três OM para uma, liberando os excedentes para completar outras funções, pode ajudar a amenizar a dificuldade particular que o Exército possui em transferir mais militares (principalmente de carreira) de outros estados para o Distrito Federal.
A origem, o ambiente fonte neste caso, precisa ser avaliada e com isso gerar informação suficiente ao gestor que o permita compreender os passos do processo de migração. Talvez seja a migração um bom momento da empresa se redescobrir, fato é que muitos negócios funcionam ano a ano em tamanho instinto, achismo, que nelas existe pouca ou nenhuma metodologia. Uma empresa com uma fonte desestruturada não será capaz de promover uma migração segura e pode sair do processo extremamente prejudicada. Assim, neste sentido Moraes (2015: 18) complementa que:
A transição de um ambiente tradicional para provedores de nuvem permite ao negócio optar pela solução de custo mais efetivo. No entanto, o processo de migração não é simples e pode oferecer riscos, tanto aos sistemas que foram fundidos, ou migrados parcialmente para o ambiente de nuvem, causando, por exemplo, exposição de informações críticas do negócio. Desta forma, Pahl e Xiong [37] lembram de que o processo de migração requer análise, planejamento e execução com muita cautela para garantir que a solução adotada esteja de acordo com os requerimentos organizacionais, ao passo que provê segurança e integridade aos sistemas de TI da organização.
Um fato importante a ser considerado reside no fato de que ambientes fonte tradicionais costumam ter inúmeros sistemas e tecnologias que são largamente ofertados em servidores em nuvem, embora a migração nestes casos jamais será livre de desafios e complexidades (MORAES, 2015). E concluindo, embora estejamos atuando sempre em casos de migração, devemos lembrar que existirão muitos casos de não migração, seja por motivo de não compatibilidade do modelo de negócio ou até mesmo por falta de um ambiente cuja cultura seja receptiva a cultura de trabalho em aplicações de nuvem.
Boa parte da complexidade em migrar para a nuvem reside no ambiente fonte, mas tal processo pode ser facilitado enormemente se a empresa compreender o ambiente destino e como este último lhe pode ser útil feitas algumas adaptações. Claro que existem centenas de serviços cloud por ai e em muitos existem diferentes soluções integradas, algumas proprietárias e outras “sublocadas” destas soluções, a exemplo dos serviços AWS.
Fato é que muitos fornecedores de cloud computing usam, por exemplo, produtos Microsoft Azure, por exemplo, e com isso não se deve esperar diferenças muito grandes entre o que estes provedores oferecem, o melhor mesmo é sempre buscar conhecer as tecnologias utilizadas, não quem as vende. De acordo com Blanchard (2020: online) um ambiente, ou zona de destino, pode ser definido por:
A infraestrutura como código é um requisito comum para a maioria dos esforços de adoção da nuvem. A mudança para a criação do ambiente de código em primeiro lugar pode adicionar uma curva de aprendizado para membros da equipe e exigir alterações em aspectos de operações, segurança, governança e conformidade. A implantação de zonas de destino criadas com a finalidade de discrição ajuda a nivelar essas curvas e permite que a equipe permaneça no controle dos planos de adoção.
Se preferir, pode chamar as zonas destino de Landing Zones (termo em inglês que designa uma solução proprietária da AWS), e de acordo com AWS (2018: online) temos que as Landing Zones promovem soluções:
O AWS Landing Zone é uma solução que ajuda os clientes a configurar mais rapidamente um ambiente AWS seguro de várias contas, com base nas melhores práticas da AWS. Com o grande número de opções de design, a configuração de um ambiente de várias contas pode levar um tempo significativo, envolver a configuração de várias contas e serviços e exigir um profundo conhecimento dos serviços da AWS.
Soluções como a Landing Zone da AWS contribuem ao economizar tempo em automatizar a configuração e com isso executar grandes cargas de trabalho de forma segura e com possibilidade de escalonamento ao mesmo tempo em que cria as contas e recursos principais. De acordo com AWS (2018: online)
O AWS Landing Zone implanta um produto AVM (Account Vending Machine – Máquina de venda de contas) da AWS para provisionamento e configuração automática de novas contas. O AVM aproveita o AWS Single Sign-On para gerenciar o acesso à conta de usuário. Esse ambiente é personalizável para permitir que os clientes implementem suas próprias linhas de base de contas por meio de um pipeline de configuração e atualização do Landing Zone. Para saber mais sobre o AWS Landing Zone, consulte a página da web da solução.
Para Blanchard (2020: online) previamente a implantação das zonas de destino:
[…] supõe-se que os controles centralizados para identidade, segurança, operações, conformidade e governança sejam fornecidos à zona de destino por meio de uma base de plataforma compartilhada, compatível com todas as cargas de trabalho nessa plataforma de nuvem específica. Todas as cargas de trabalho em cada zona de destino serão governadas por esses controles centrais para estabelecer uma linha de base consistente entre os pilares de arquitetura compartilhada de segurança, confiabilidade, desempenho, custo e operações de nuvem.
Nesta aula vamos dar uma visão mais financeira no processo estratégico de migração de funcionalidades e sistemas informáticos para as plataformas em nuvem. Mas antes de começar, vamos na mesma linha que Ribas, Lima e Souza (2014: ) ao afirmar que o processo de tomada de decisão para avaliar a adoção ou não das soluções em nuvem deve ser multicritério e indica o uso do AHP (Analytic Hierarchy Process).
E antes de aprofundar nas metodologias que nos ajudarão a compreender como se deve pensar nas estratégias de migração é preciso retomar o conceito de SaaS, conforme apresenta Ribas (et al, 2014: ) “Os serviços do tipo SaaS são os que representam a adoção do modelo em nuvem na sua forma mais abrangente, pois em última análise o usuário de um software no modelo SaaS é também usuário de PaaS e IaaS, indiretamente.”