Política monetária é a forma como o governo gerencia os meios de pagamento de um país, considerando a quantidade de moeda metálica, papel-moeda e os depósitos a vista em poder do público. Esses meios de pagamento possibilitam às empresas e famílias a aquisição imediata de bens e serviços, ou seja, são os ativos com maior liquidez que existem. Nesse sentido, o fluxo real – composto por mercadorias e serviços – e o fluxo monetário se encontram e a partir de uma negociação no mercado, ocorrem as trocas em determinadas quantidades e preços. Por esse motivo, existe uma relação entre a quantidade de moeda em circulação e a taxa de inflação em um país.

Não se trata de uma relação exata. Outras variáveis devem ser observadas para compreender como a moeda impacta na inflação. Essas variáveis são objeto de intenso debate entre os economistas, por esse motivo há uma diversidade de posições sobre como a política monetária deve ser usada. As duas principais visões de política monetária são a abordagem clássica que ocorre por meio da Teoria Quantitativa da Moeda e a abordagem keynesiana que estabelece suas recomendações de política monetária no que se denomina “economia monetária da produção”. Uma visão geral sobre essas duas abordagens será tratada neste texto.

Em seguida, abordaremos os principais instrumentos de política monetária: depósitos compulsórios, redesconto e operações de mercado aberto. E finalmente, apontaremos os efeitos da política monetária sobre a inflação, a produção e o emprego.

1. Teoria Quantitativa da Moeda

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A Teoria Quantitativa da Moeda talvez encontre em Irving Fisher e Milton Friedman uma de suas maiores referências. Ela estabelece uma relação direta entre a quantidade de moeda em circulação e o nível de preços de uma economia. Para essa teoria, essa relação pode ser expressa matematicamente pela equação:

M x V = P x Y

Onde M é a quantidade de moeda em circulação, V é a velocidade da moeda, P é o índice de preços e Y é o Produto Interno Bruto (PIB) de um país. Por essa equação, demonstra-se que a quantidade de moeda deve ser proporcional ao PIB real[1] desse país. Essa proporção seria ainda ponderada pela velocidade de circulação da moeda que consiste em uma estimativa de quantas vezes em um determinado período a moeda concretizou uma troca comercial.

Assim, considerando a velocidade da moeda como uma constante, o aumento da quantidade de moeda em circulação em proporção maior do que o crescimento do PIB geraria um aumento do índice de preços, o que significa que teríamos maior inflação. De modo análogo, uma redução na quantidade de moeda geraria uma queda da inflação ou até mesmo uma deflação.

Caberia então às autoridades monetárias emitir moeda de maneira proporcional ao PIB para manter a estabilidade de preços e alterar a quantidade de moeda para trazer a inflação para próximo da meta estabelecida.

2. Economia Monetária da Produção

A economia monetária da produção é a forma como o economista John Maynard Keynes se referiu à relação entre o lado real da economia, com a produção de bens e serviços, e o lado monetário. Diferentemente dos adeptos da Teoria Quantitativa da Moeda, Keynes defendeu a ideia de que a relação entre o aumento da quantidade de moeda em circulação e um aumento nos índices de inflação nem sempre ocorre. Keynes chamava a atenção de que a velocidade da moeda pode se alterar amplamente devido às expectativas e posições dos agentes econômicos.

Em momentos de instabilidade, as pessoas procurariam reter moeda, uma vez que esta é a forma mais líquida de riqueza. Existe a demanda por moeda em razão da necessidade de precaução que as pessoas buscam. O ativo que seria mais aceito em um momento de crise, que provocasse desabastecimento, por exemplo, é a moeda. Assim, como a moeda seria demandada e retida por quem busca especular com os diferenciais de taxas de juros no tempo. Isso porque os agentes, nas palavras de Keynes, tem uma preferência pela liquidez. Por isso, nesses momentos instáveis, haveria uma retenção de moeda e consequente diminuição da velocidade de circulação. Isso abriria espaço para o aumento da oferta de moeda sem pressão inflacionária.

3. Instrumentos de política monetárias

Para controlar a quantidade de moeda em circulação, assim como para alterá-la, a autoridade monetária de um país tem à disposição três instrumentos principais: os depósitos compulsórios, o redesconto e as operações de mercado aberto.

Os depósitos compulsórios são limites que a autoridade monetária estabelece para que os bancos efetuem empréstimos a partir do dinheiro que está depositado neles. Uma das funções dos depósitos compulsórios é garantir moeda no caixa dos bancos para atender os saques que possam ser realizados pelos clientes para evitar o risco de uma crise de liquidez no sistema financeiro. No entanto, os depósitos compulsórios têm a função também de regular a quantidade de moeda que é criada pelos bancos por meio do sistema de depósitos e empréstimos. Quando os depósitos compulsórios são estabelecidos em níveis mais altos, diminui a quantidade de moeda em circulação na economia e, assim, a pressão inflacionária diminui.

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A política de redesconto bancário é uma operação onde a autoridade monetária realiza empréstimo diretamente aos bancos que possuem pouca moeda em caixa. Assim, quando é necessário diminuir a inflação, as operações de redesconto tornam-se mais restritas. Mas, quando é necessário estimular a economia, geralmente em quadros de deflação, as operações de redesconto são ampliadas.

Já as operações de mercado aberto consistem na oferta de títulos da dívida pública pela autoridade monetária onde é estabelecida uma taxa de juros a ser paga ao comprador em um período determinado. Assim, durante o período em que o dinheiro fica entesourado, para que sejam pagos os juros, essa quantidade de moeda sai de circulação da economia, diminuindo a pressão inflacionária. No Brasil, a taxa de juros paga aos títulos da dívida pública são baseados na chamada taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia, a taxa SELIC. Por isso é que em momentos de inflação alta no Brasil, o Conselho de Política Monetária (COPOM) eleva essa taxa.

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