A teoria do consumidor é uma abordagem da microeconomia que busca estudar o comportamento das famílias frente ao mercado, assim como seu padrão de consumo e as possíveis alterações que eles venham a sofrer. Para isso, a teoria adota a premissa de que o consumidor é um ser economicamente racional que busca maximizar a sua satisfação, também chamada de utilidade. Isso significa que o consumidor busca adquirir o máximo de bens que lhe proporcionem satisfação com a renda que ele dispõe e, desta forma, ele busca maximizar a sua utilidade.

1. Utilidade total e utilidade marginal

Primeiramente, é necessário entender o conceito de utilidade. Como dissemos, utilidade é o nome dado à satisfação que um bem ou serviço proporciona ao seu consumidor. Perceba que a satisfação que um produto proporciona a alguém depende de uma série de variáveis, algumas delas bastante pessoais. Por isso, a utilidade que um consumidor atribui a uma mercadoria tem um componente bastante subjetivo, fazendo com que cada consumidor atribua um nível de utilidade diferente para o mesmo produto.

Quanto mais consumimos um determinado produto, maior costuma ser a utilidade total do consumo (UT). No entanto, essa utilidade não cresce de maneira linear porque a satisfação provocada por cada unidade adicional consumida não é a mesma que a unidade consumida anteriormente. Essa utilidade que cada unidade adicional do produto consumido proporciona é o que chamamos de utilidade marginal (Umg) (PINDYCK; RUBINFELD, 2009).

Para exemplificar esses conceitos, imagine que um dia, depois de longas horas de trabalho sem conseguir sentar para comer, um trabalhador vai a uma hamburgueria. Chegando lá, ele logo pede um hambúrguer e o come rapidamente, uma vez que a fome é grande. Esse primeiro hambúrguer lhe deu uma enorme satisfação, ou, como dizemos na microeconomia, proporcionou-lhe uma grande utilidade. Mas, a fome deste trabalhador ainda não foi saciada e ele pede um segundo hambúrguer. Como ele ainda está com fome, ele começa a sentir a fome diminuindo e ainda sente o sabor da carne e do queijo do hambúrguer o que lhe proporciona uma utilidade maior que o primeiro. Já saciado, o trabalhador decide pedir um terceiro hambúrguer, mas, como a fome já foi embora, esse terceiro hambúrguer lhe proporciona uma utilidade menor do que o segundo. Se ele continuar comendo, mesmo saciado, as próximas unidades adicionais irão lhe proporcionar uma utilidade cada vez menor. A utilidade marginal a partir do terceiro hambúrguer é decrescente, o que faz com que a utilidade total cresça em um ritmo mais lento.

2. Cestas de mercado e curva de indiferença

As economias capitalistas oferecem uma grande variedade de produtos para o consumidor adquirir. Frente a esse cenário, o consumidor precisa decidir como utilizará seus recursos, que são escassos, para adquirir mercadorias. Para isso, ele avalia as combinações de consumo para decidir qual cesta de produtos ele escolherá.

Gráfico 1 – Curvas de indiferença

O gráfico 1 representa um mapa de indiferença que é um conjunto de curvas de indiferença dispostas no plano cartesiano. Os eixos do plano representam a quantidade de mercadorias X e Y que podem ser consumidas. Isso é o que é chamado na microeconomia de espaço mercadoria.

Uma curva de indiferença é o conjunto de pontos onde a combinação de quantidades dos produtos X e Y proporcionam a mesma utilidade ao consumidor. No caso apresentado no gráfico 1, qualquer ponto na curva U2 oferecerá o mesmo nível de utilidade (U2) ao consumidor. Para ele é indiferente consumir a combinação do ponto a (7 unidades de Y e 1 unidade de X) ou a do ponto b (1 unidade de Y e 5 unidade de X). As duas combinações lhe proporcionam a mesma utilidade.

A curva de indiferença também fornece importantes informações sobre o quanto de uma mercadoria o consumidor está disposto a abrir mão para obter uma outra mercadoria. Essa é a chamada taxa marginal de substituição (TMS).

Gráfico 2 – Curva de indiferença e taxa marginal de substituição

No gráfico 2, está representada uma curva de indiferença que fornece todos os pontos onde as combinações resultam na mesma utilidade U1. Entre os pontos “d” e o ponto “e”, o consumidor está disposto a perder 4 unidades de Y para obter uma de X, resultando em uma taxa marginal de substituição (TMS) de 4. Já entre os pontos “e” e “c”, o consumidor está disposto a abrir mão de 2 unidades da mercadoria Y para obter uma unidade de X, resultando em uma TMS de 2. Como vemos, a taxa marginal de substituição é diferente nos distintos intervalos que compõem a curva de indiferença.

Voltando ao gráfico 1, a curva U1 representa um nível de utilidade superior ao da curva U2, uma vez que, por estar mais afastada do vértice do gráfico, indica que a quantidade de mercadorias nela é maior do que na curva U2. Esse é um outro pressuposto da teoria do consumidor: ter mais produtos é sempre preferível a ter menos. Por isso, o consumidor preferirá as combinações da curva U1. Assim, a combinação expressada pela letra d é preferível à combinação expressada pela letra a ou d.

A decisão de qual cesta de mercado será adquirida pelo consumidor passa pela análise de disponibilidade de sua renda para o consumo por meio da chamada linha de restrição orçamentária (PINDYCK; RUBINFELD, 2009).

3. Linha de restrição orçamentária

A linha de restrição orçamentária é a representação gráfica das possibilidades que o consumidor tem à disposição para usar sua renda, ou parte dela, na compra de mercadorias.