Funcionamento do mercado

No ambiente que denominamos mercado, as forças de oferta e demanda se encontram e é desse encontro que se determinam os preços das mercadorias e as quantidades que serão transacionadas naquela economia. Essas duas forças têm características e comportamentos muito próprios. Para estudá-las, consideramos a análise de duas variáveis: uma dependente e outra independente. Existem muitas variáveis atuando no mercado, no entanto, para analisá-las mais profundamente, vamos considerar todas as demais variáveis como constantes, que na economia é expressa pela expressão “coeteris paribus”.

Neste módulo, iremos entender como se comportam a oferta e a demanda, quais fatores podem influenciar seu movimento e como se determina o equilíbrio em um mercado.

  1. Curva de demanda

A demanda de um produto é definida como a disposição que empresas e famílias têm em adquirir um produto. As empresas vão ao mercado buscar fatores de produção e as famílias procuram bens e serviços finais. Existem muitos fatores que afetam a decisão de compra dos consumidores: gostos, cultura, utilidade. Mas, o principal fator que influencia essa decisão é o preço do produto. Por um lado as empresas tentam diminuir seus custos, por outro, as famílias procuram fazer com que a renda disponível seja capaz de adquirir o máximo de bens e serviços possíveis. (MENDES, 2009). É essa busca pela maximização do bem estar, ou utilidade, proporcionado por essas mercadorias que coloca o preço como a variável principal das decisões de aquisição de produtos.

Por essa razão, expressa-se a quantidade demandada de um bem ou serviço como uma função do preço. Matematicamente, equivale a:

D = f§

Onde “D” é a quantidade demandada e “p” o preço.

A partir deste ponto, é necessário entender como ocorre a relação entre a quantidade demandada e o preço. Tanto as empresas que adquirem produtos no mercado de fatores de produção, como as famílias que adquirem produtos no mercado de bens e serviços finais têm como objetivo maximizar o orçamento que tem disponível, ou seja, esses agentes querem adquirir o máximo de bens e serviços com a menor quantidade de recursos para isso. Portanto, quanto menor for o preço, maior será a atratividade para o consumidor e, consequentemente, maior será a demanda. Assim, há uma relação inversa entre quantidade demandada e o preço: quanto menor o preço, maior será a demanda. Graficamente, podemos expressar essa relação em um plano cartesiano que descreve uma equação do tipo:

D = a – b§

Onde D é a quantidade demandada, p é o preço, enquanto a e b são números reais. O sinal negativo é o que indica que a relação entre a variável dependente (D) e a variável independente § é inversamente proporcional.

Quando o preço está em p1, a quantidade demandada é Q1. Se o preço baixar para p2, a quantidade demandada cresce para Q2.

Sempre que houver uma mudança no preço, a quantidade demandada variará sobre a curva de demanda. No entanto, como já falamos, há outros fatores, além do preço, que podem causar variações na demanda. Sempre que ocorre uma alteração na quantidade demandada que não foi causada por variação de preço, dizemos que ocorreu um choque de demanda. Trata-se de algum fator externo, também chamado de exógeno, que altera a quantidade demandada de um bem ou serviço. Nesse caso, não ocorre mais um deslocamento sobre a curva, mas sim um deslocamento da própria curva (PINDYCK; RUBINFELD, 2009).

Para ilustrar essa situação, suponhamos que um auxílio social em dinheiro seja repassado do governo para as famílias. Com maior renda disponível, as famílias estarão mais dispostas a comprar e a demanda aumentará. O que provocou esse aumento foi o acréscimo na renda das pessoas e não uma alteração de preço. Portanto, neste caso, teremos um deslocamento da curva de demanda para a direita, uma vez que a quantidade demandada elevou-se, como é mostrado no deslocamento da curva de demanda de D1 para D2 no gráfico 2. Em sentido contrário, imaginemos que descobriu-se que um determinado produto pode ser tóxico. Com essa informação, famílias param de comprá-lo e a demanda por esse produto diminui em razão da ameaça de toxicidade e não pelo preço. Neste caso, com a diminuição da demanda, a curva de demanda se deslocou para a esquerda, como demonstra o deslocamento da curva de D1 para D3 no gráfico 2.

Gráfico 2 – Deslocamento da curva de demanda

  1. Curva de oferta

Para entender o comportamento da curva de oferta, é preciso entender qual o ponto de vista da firma, ou do empresário, para saber o quanto vai ofertar de um determinado produto. O estímulo para uma empresa oferecer seus produtos é o lucro e, em termos gerais, quanto maior for o preço, maior será a possibilidade de conseguir lucro. Portanto, de modo contrário ao que ocorre com a demanda, quanto maior o preço, maior será a quantidade ofertada.

Essa relação entre quantidade ofertada e quantidade demandada pode ser expressa na equação: