Métodos de análise econômica

A ciência econômica, mais comumente chamada de economia, é uma ciência social, onde se procura estabelecer explicações para o comportamento dos agentes econômicos e a maneira como se relacionam. Trata-se de uma ciência e, portanto, ela utiliza o método científico para criar teorias explicativas para os fenômenos econômicos.

  1. O método científico

O método científico baseia-se em um conjunto de etapas logicamente encadeadas em que se procura entender determinado fenômeno gerando, desta maneira, conhecimento que explicará fenômenos da mesma natureza. Essas etapas se iniciam por meio da observação de um fenômeno. A partir daí, elaboram-se hipóteses, por meio da dedução lógica, que sejam capazes de explicar aquele fenômeno. Essa hipótese formulada pode ser falsa ou verdadeira. Então, para saber isso, realizam-se experimentos onde a hipótese é testada e, desta maneira, conclui-se se a hipótese é verdadeira. Caso ela seja verdadeira, ela acaba compondo a área do conhecimento a qual ela pertence. Caso seja falsa, a hipótese é reformulada e novamente aplicam-se as demais etapas do método científico.

  1. Método indutivo e dedutivo

Há duas possibilidades de aplicação do método científico: o indutivo e o dedutivo (RIZZIERI, 2017). No método indutivo, parte-se da observação de um fenômeno e, a partir daí, formula-se uma hipótese explicativa para tal fenômeno e, se as hipóteses forem verdadeiras então elas passam a integrar uma determinada teoria que será capaz de explicar fenômenos semelhantes. Já o método indutivo faz o caminho contrário. Primeiramente, define-se um problema a ser explicado e formula-se uma hipótese. Com essa hipótese já formulada, ela será testada por meio das observações da realidade e, caso essas observações corroborem a hipótese, então ela é considerada verdadeira e passa a integrar uma teoria. Teoria é um conjunto de hipóteses ou ideias que tem uma relação de interdependência entre si. Em suma, o método indutivo parte da observação de um caso para criar a hipótese, enquanto no método dedutivo parte-se da hipótese para depois fazer a observação.

Seja qual for o método a ser utilizado, indutivo ou dedutivo, a observação é sempre importante. Nas ciências exatas e naturais, a observação pode ser feita por meio de experiências em laboratórios ou em ambientes controlados. A economia, por ser uma ciência social, não conta com esse tipo de ferramenta. Por isso, a etapa de observação na ciência econômica é realizada por meio de dados que são gerados socialmente. Nesse sentido, a estatística torna-se uma ferramenta importante para a análise econômica. O comportamento da sociedade acaba sendo descrito pelos dados que são gerados que podem comprovar ou não uma hipótese. (MENDES, 2009).

Um exemplo dentro da área da economia é a relação entre a quantidade demandada e o preço de uma mercadoria. Utilizando o método dedutivo, pode se formular uma hipótese expressa na afirmação “quando o preço de uma mercadoria se eleva, a demanda por essa mercadoria diminui”. A partir de uma base de dados onde esteja registrada uma série histórica de preços e quantidades demandas, pode-se verificar se a hipótese é verdadeira. Ao observar os dados, por meio de um gráfico, por exemplo, verifica-se uma relação indireta entre quantidade demandada e preços, o que comprova a hipótese formulada. Já no método dedutivo, parte-se da observação dos dados que indicam essa relação inversa e, a partir daí, formula-se uma hipótese, por exemplo, “quando o preço de uma mercadoria diminui, a sua demanda se eleva” e então, explicando satisfatoriamente as observações semelhantes, integra-se essa premissa na teoria econômica.

  1. Análise positiva e normativa

A forma de análise de um determinado fenômeno influenciará diretamente na formulação de hipóteses e interpretação dos resultados que são observados. Na ciência econômica, a análise é feita por meio de duas perspectivas: a positiva e a normativa.

A análise positiva procura entender como os fenômenos podem ser descritos. Simplesmente aceita-se a existência do fenômeno e formula-se uma explicação. A observação do fenômeno não passa por nenhum julgamento moral. Por isso, a análise positiva tem um caráter muito mais descritivo, indicando como cada fenômeno se comportou no passado, como se comporta no presente e como ele vai se comportar no futuro.

Por outro lado, a análise normativa diz respeito a como determinado fenômeno deveria se comportar. E isso passa necessariamente por um julgamento se determinado fenômeno é bom ou ruim e, portanto, trata-se de uma análise com um grau de subjetividade maior do que na análise positiva, uma vez que o julgamento de um mesmo fenômeno pode ter valores morais – se é bom ou ruim – dependendo da posição do observador, do momento histórico em que é feita a análise e do ambiente sociocultural onde a análise está sendo realizada.

Na economia, utilizam-se o método científico indutivo e dedutivo, assim como utilizam-se as perspectivas de análise positiva e normativa, dependendo das características do fenômeno que está sendo observado.

  1. Correntes teóricas na economia

Essa ampla possibilidade de métodos e abordagens pode fazer com que o mesmo fenômeno econômico seja explicado por hipóteses diferentes. Algumas vezes, essas hipóteses podem ser complementares, mas muitas vezes elas são divergentes. É dessa divergência de métodos e análises que surgem diferentes correntes teóricas. (O´SULLIVAN ; SHEFFRIN; NISHIJIMA, 2004).

A explicação dos fenômenos econômicos do capitalismo encontra duas correntes principais: a corrente liberal e a corrente keynesiana. O liberalismo econômico encontra suas raízes na obra de Adam Smith, considerado o fundador da economia como uma área específica de estudo, ainda no século XVIII. A ele se juntam nomes como Jean Baptiste Say e, mais recentemente, Milton Friedman. A ideia central da corrente liberal é a de que o livre mercado, sem interferências do governo, é a melhor forma de alocar os recursos econômicos em uma sociedade para que se gere a maior quantidade de riqueza possível na forma de bens e serviços.

Por outro lado, a corrente Keynesiana, fundada por John Maynard Keynes e seguida por economistas como Kalecki e, mais recentemente, Paul Krugman, tem como ideia central que, principalmente em momentos de crise, o mercado não é capaz de coordenar a atividade produtiva de forma a produzir mais riqueza, uma vez que há incertezas cujos efeitos podem ser melhor controlados por meio da coordenação da economia pelo Estado. Portanto, os economistas keynesianos acreditam que, em momentos de crise, a coordenação pelo mercado não é eficiente e o governo deve intervir para mitigar os efeitos da crise.

  1. Ferramentas de análise econômica

Como citado no item 2, a economia utiliza-se da estatística para observar a realidade e analisá-la. Além da estatística, a matemática também é muito utilizada para elaborar modelos econômicos que são representações matemáticas das principais variáveis que atuam sobre determinado fenômeno econômico, estabelecendo equações capazes de explicá-lo. A utilização de matemática e estatística também possibilita a elaboração de gráficos que permitem uma análise visual das observações econômicas e, desta forma, permite a identificação de relações entre variáveis e tendências de comportamento delas. (O´SULLIVAN ; SHEFFRIN; NISHIJIMA, 2004).

Outra ferramenta importante é a observação de fatos históricos. Feita as devidas adequações, fenômenos que ocorreram no passado podem fornecer informações importantes para explicar os fenômenos semelhantes na atualidade.