Sabe-se que algumas terminologias destacam-se na área da audição e, duas delas de suma importância para que possamos entender o universo da Língua Brasileira de Sinais, são: deficiência auditiva e surdez. Existem algumas visões diferenciadas sobre essas duas terminologias: o âmbito social as vê como algo diferenciado (pessoa com deficiência auditiva é aquela desprovida parcialmente de audição, ou seja, existe algum resíduo auditivo funcionante, enquanto que a surdez seria a ausência total de audição. No âmbito da saúde podemos afirmar que essas terminologias têm o mesmo significado, variando de acordo com o tipo de perda auditiva).
Qualquer tipo de perda auditiva geralmente ocorre devido a questões de hereditariedade ou diversas doenças diferentes (algumas – as principais – doenças serão citadas ao longo de nossas aulas).
No passado acreditava-se que pessoas Surdas, por não conseguirem se comunicar com a sociedade, apresentavam um déficit de inteligência, pois a partir do momento que não existe uma língua na qual a pessoa possa se identificar, linguisticamente podemos afirmar que esse sujeito apresenta uma carência identitária linguística. Obviamente esse déficit, com o passar dos anos, foi visto de uma forma diferenciada, ou seja, uma pessoa que recebe poucos estímulos comunicacionais por não conseguir interagir, consequentemente apresentará uma dificuldade de se relacionar socialmente.
Para que a inclusão da pessoa Surda possa ocorrer da melhor forma possível, é importante que todas as pessoas ao seu redor sejam “parceiros terapêuticos”, ou seja, pessoas que possibilitaram um desenvolvimento comunicacional, sejam pais, mães, avôs, avós, primos, primas, irmãos, amigos, profissionais da área da educação e da área da saúde. Entretanto, vale ressaltar que nem todo sujeito surdo é usuário de libras e nem todos conseguem desenvolver plenamente a oralização.
Deve-se apontar que a Língua de Sinais Brasileira (Libras) e a oralização (desenvolver a capacidade do Surdo em pronunciar oralmente as palavras) são fatores importantes para que a inclusão social e educacional ocorram da melhor forma possível.
Cormedi (2010, p. 30) classifica as perdas auditivas da seguinte forma:
Surdez leve – de 16 a 40 dB. Nesse caso, a pessoa pode apresentar dificuldade para ouvir o som do “tic-tac” do relógio, ou mesmo uma conversação silenciosa (cochicho).
Surdez moderada – de 41 a 55 dB. Com esse grau de perda auditiva, a pessoa pode apresentar alguma dificuldade para ouvir uma voz fraca ou o canto de um pássaro.
Surdez acentuada – de 56 a 70 dB. Com esse grau de perda auditiva, a pessoa poderá ter alguma dificuldade para ouvir uma conversação normal.
Existem algumas doenças ou situações onde a pessoa pode apresentar um grau de perda auditiva ou até mesmo surdez. Essas doenças/situações são divididas em três momentos: pré-natal (ocorre durante a gestação, antes do nascimento), perinatal (ocorre no ato do nascimento) e pós-natal (ocorre horas, dias, meses ou anos após o nascimento).
A hereditariedade (genes maternos e paternos) e algumas doenças são responsáveis pelo acometimento da Surdez no momento pré-natal, são elas: intoxicação medicamentosa, alcoolismo materno, rubéola, sífilis, uso de drogas, toxoplasmose e hipertensão arterial. As causas mais comuns de surdez no momento perinatal são: prematuridade, anóxia (ausência de oxigenação no cérebro), traumas no parto, baixo peso e estatura, icterícia (pigmentação na pele). E, por fim, as causas pós-natais: convulsões, permanência na incubadora, medicamentos ototóxicos, icterícia, meningite, otite, caxumba, sarampo, diabetes, traumatismo craniano e exposição a ruídos impactantes a longo prazo.
Como atividade extra do conteúdo de visão social da Surdez, recomendo a visualização dos seguintes vídeos:
https://www.youtube.com/watch?v=84MSmSObgvQ
(https://www.youtube.com/watch?v=84MSmSObgvQ)
https://www.youtube.com/watch?v=bubbJSVJFRs
(https://www.youtube.com/watch?v=bubbJSVJFRs)