Conceitos básicos de economia

Como a riqueza de um país, de uma empresa ou de uma família é criada? Quais são os fatores que explicam o desempenho diferente entre empresas e indivíduos em relação a criação de riqueza? Essas são questões que podem ser respondidas com o auxílio da ciência econômica, uma área do conhecimento, também chamada simplesmente de economia, que tem na produção e distribuição de riqueza seu objeto central de estudo.

A produção de riqueza ocorre por meio da combinação de determinados fatores de produção. Esses fatores de produção podem ser divididos em dois grandes grupos: capital e trabalho. O capital consiste nas mercadorias já produzidas  que são capazes de gerar novas mercadorias com maior valor agregado. O trabalho é a capacidade humana de colocar em marcha o processo produtivo, ou seja, é o trabalho que combina e movimenta o capital para gerar uma mercadoria com maior valor do que aquele que foi empregado no início do processo, gerando assim uma quantidade de riqueza maior do que aquela existia anteriormente.

Para exemplificar esses dois conceitos – capital e trabalho – podemos imaginar uma pizzaria. A produção de pizzas precisa, inicialmente, dos ingredientes para fazê-la. Assim, o proprietário da pizzaria terá que providenciar farinha de trigo, fermento, água, óleo, sal, molho de tomate, queijo e calabresa para produzir a pizza. Esses ingredientes são fruto de processos produtivos anteriores que serão utilizados em um novo processo. Por isso, eles se constituem em capital. Mas não adianta só providenciar esses ingredientes que, neste caso, também podem ser chamados de insumos. É preciso que alguém os misture de forma a que se produza a massa e que depois sejam colocados os elementos da cobertura. Quem vai fazer isso é o pizzaiolo que utilizará sua capacidade de trabalho sobre aqueles ingredientes, utilizando os instrumentos que tem à disposição, para que a pizza seja produzida. Porém, a pizza ainda não está pronta. É preciso assá-la. Para isso, novamente o pizzaiolo utilizará seu esforço, seu trabalho, para colocar a lenha, produzir fogo e levar a pizza para o forno. A lenha e o forno são recursos de capital para a produção dessa mercadoria. Com a pizza já assada, o pizzaiolo a coloca na embalagem e, então, o entregador utilizará o seu trabalho para entregá-la no endereço correto. Em todo o processo produtivo foram utilizados o capital, que são as mercadorias produzidas previamente, e o trabalho, que é o esforço aplicado para movimentar esse processo. A combinação de capital e trabalho gerou uma nova mercadoria com maior valor, portanto, essa combinação criou riqueza.

Mas a criação de riqueza tem limites. Há uma quantidade limitada de capital e trabalho na sociedade para a produção de mercadorias. Não é possível gerar riqueza de forma infinita. Por isso, dizemos que os recursos econômicos são limitados. Por outro lado, as necessidades e desejos humanos não têm essas limitações. Temos necessidades básicas, como alimentação e vestuário, por exemplo. Mas ao satisfazer essas necessidades, logo surgem outras, como, por exemplo, o acesso a eventos culturais ou viagens. Sempre que um ser humano atinge um objetivo, logo surgem outros. E assim, entende-se que as necessidades e desejos humanos são infinitos. E nesse ponto é que se forma um princípio fundamental da economia, chamado de princípio da escassez, que pode ser resumido na afirmação de que as necessidades humanas são infinitas, mas os recursos para atendê-las são limitados.

Portanto, com essa escassez de recursos as pessoas precisam fazer escolhas. Por um lado, as empresas precisam decidir em qual atividade serão utilizados os fatores de produção que elas têm à sua disposição. Por outro lado, os consumidores precisam decidir como utilizarão os seus rendimentos. Nos dois  casos, escolher uma utilização para os recursos significa que eles não poderão ser utilizados de outra forma. A esse movimento onde uma escolha implica na renúncia de outra alternativa, os economistas dão o nome de trade off. Juntamente com este conceito, vem também o conceito de custo de oportunidade que consiste no valor da escolha que foi renunciada.

Continuemos com o exemplo da pizzaria. Os recursos que o dono da pizzaria possui – o capital e o trabalho – podem ser utilizados tanto para produzir pizzas, como para produzir pão. Se ele produzir as pizzas, ele terá um lucro de, suponhamos, R$ 10.000,00 e se ele produzir pão, então o lucro será de R$ 8.000,00. Como a produção de pizza é a que gera mais lucro para o dono desse capital, ele escolherá essa mercadoria para desenvolver sua atividade produtiva. Ao mesmo tempo em que ele escolhe a produção de pizza, ele abre mão de produzir pão e assim ele abre mão também de receber os R$ 8.000,00 que a produção de pão poderia lhe proporcionar, portanto, o custo de oportunidade neste caso é de R$ 8.000,00. Não se trata de um custo que implique em um gasto ou perda efetiva de dinheiro. Trata-se de um custo econômico que ajudará o empresário a tomar a decisão de onde investir seus recursos.

A economia é uma ciência que trata das escolhas sobre como usar os recursos disponíveis, também chamados de fatores de produção, para produzir riqueza na forma de mercadorias que podem ser bens ou serviços. E para isso, ela procura responder algumas perguntas que resumem os chamados problemas econômicos. A primeira pergunta a ser respondida é “o que produzir?”. Com isso deve-se entender quais as necessidades e desejos da sociedade que devem ser atendidos pela atividade produtiva. Por isso, deve-se responder a pergunta “para quem produzir?” indicando quem será o consumidor que terá suas necessidades atendidas por essa produção. Outra questão importante é “como produzir?” que indica a tecnologia que será utilizada para a produção da mercadoria. Essas três perguntas auxiliam a escolher a forma como os recursos econômicos serão utilizados. (MENDES, 2009).

As empresas, também chamadas de firmas no linguajar econômico, são os agentes econômicos responsáveis por organizar os recursos produtivos para gerar bens e serviços. Esses bens e serviços atenderão às necessidades e desejos de famílias que são os agentes econômicos responsáveis pelo consumo. Há ainda outros dois agentes econômicos além das firmas e famílias. Um deles é o governo que é responsável pela regulamentação da atividade econômica e manutenção de instituições necessárias para o funcionamento da economia. O outro agente é chamado de “resto do mundo", que corresponde aos outros países com quem o Brasil mantém relações econômicas.

Esses quatro agentes – firmas, famílias, governo e resto do mundo – se relacionam em um espaço denominado “mercado”. Nesse ambiente, a relação entre os agentes econômicos se dá por meio do sistema de preços, onde eles variam de acordo com a procura e a oferta de bens e serviços. Assim, por exemplo, quando a procura for muito alta, a tendência é que os preços se elevem e isso acaba, por um lado, desestimulando a demanda e estimulando a oferta, fazendo com que o mercado encontre um novo ponto de equilíbrio. Portanto, o mercado acaba regulando o quanto deve ser produzido de um determinado produto e para quem ele é produzido. Isso ocorre tanto no mercado de bens e serviços finais, que são aqueles adquiridos pelas famílias, como no mercado de fatores de produção, que são os bens e serviços utilizados para a produção de outros bens e serviços.

Essa regulação pelo mercado é um elemento típico do sistema econômico capitalista. Um sistema econômico trata da forma como os recursos produtivos, as unidades de produção e as instituições são organizadas para a produção de riquezas na forma de mercadorias. No capitalismo, como já dissemos, é o sistema de preços por meio do mercado que regula a atividade econômica. Além disso, os fatores de produção são de propriedade privada, há uma divisão efetiva entre capital e trabalho e a principal motivação para a produção de riquezas é o lucro. Existem outras formas de organizar o sistema econômico. No entanto, o capitalismo é a forma que atualmente predomina no mundo. (O´SULLIVAN; SHEFFRIN; NISHIJIMA, 2004).

No capitalismo, os agentes econômicos têm comportamentos individuais que devem ser bem compreendidos para que seja possível entender a produção de mercadorias em sua totalidade. Por essa razão, a ciência econômica divide seu objeto de estudo em duas grandes áreas: a microeconomia e a macroeconomia. Na microeconomia se estuda o comportamento individual dos agentes, especialmente, da firma que produz bens e serviços e das famílias que consomem essas mercadorias. Já na macroeconomia se estuda o comportamento agregado dos agentes econômicos e a influência que pode ser exercida pelo governo e pelo resto do mundo, com quem nos relacionamos por meio de relações comerciais e financeiras.

Atividade Extra

Para entender o surgimento e a evolução do capitalismo, indico o vídeo “O que é capitalismo”, do Manual do Brasil, disponível no link: https://youtu.be/XlONrc_8aaQ

Referência Bibliográfica

MENDES, Judas T.M. Economia. 2ª ed. Rio de Janeiro: Pearson, 2009.

O´SULLIVAN, Arthur; SHEFFRIN, Steven M; NISHIJIMA, Marislei. Introdução à economia: princípios e ferramentas. Rio de Janeiro: Pearson, 2004.

Questões Aula 1: